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Morada dos Ventos

saotome — 30-08-2009 GTM 1 @ 18:27

Subi até à morada dos Ventos
Entre montanhas e desfiladeiros
Seguindo pelos montes altaneiros
Á procura de resquícios doutros tempos.
Meus olhos deambularam pelo horizonte
Sobre a linha indefinida de cada monte.
E dessas alturas senti-me a flutuar
Como nuvem leve e contemplativa
Que vê o mundo como um astro a girar
Silencioso, exuberante e calmo
Com a pujança da natureza soberana,
Numa verdadeira exaltação à vida
Sem vandalismos ou incoerência humana.

A Nossa Terra

saotome — 22-08-2009 GTM 1 @ 19:21

Minha terra tem belezas
Que noutras terras não há
Encantam quem aqui passa
E que por Divina graça,
Só se encontram mesmo cá.
Os seus laranjais em flor
Alcandorados nas fragas
Como quem namora o rio
Da varanda dum condor,
Abrindo sobre ele as asas
Num constante desafio.
Tem dois rios a seus pés
Que lhe conferem grandeza
Qual deles o mais formoso
O rio Tua e o Douro
Como um valioso tesouro
De luxuriante beleza.
Os socalcos de vinhedos
Guardam eternos segredos
Do seu vinho generoso
No mundo inteiro famoso.
A Banda, já bicentenária,
Criou fama o seu rufar,
E muita gente acredita,
Que nesta terra bendita,
Que é S. Mamede Ribatua,
Até as pedras da rua… Sabem tocar!

Um Dia Voltarei

saotome — 16-07-2009 GTM 1 @ 19:45

Um dia, voltarei ao meu sertão,
Quando o Sol iluminar mais uma vez
O manto verde que envolve sua tez
E avivar os matizes do rubro chão.

Para sorver o orvalho de cada flor
Como néctar saciando a minha sede,
Sentir o frescor do cajueiro verde
Quando mais se intensificar o calor.

Então espalharei o meu cansaço,
Pela solidão do tempo e do espaço
E no meio dessa magia envolvida

Pelo revoar duma ave de rapina,
Quando por mim passar em surdina
E sentir que de novo voltei à vida.

São Tomé

Paz e Quietude

saotome — 10-06-2009 GTM 1 @ 21:40

aves.jpg

Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.

Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.

Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.

Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.

Alijó, Princesa de Trás-os-Montes

saotome — 18-05-2009 GTM 1 @ 21:22

Alijó, princesa de Trás-os-Montes,
Erigida no sopé duma colina,
Tem ar travesso de eterna menina,
Sacia a sede na frescura das fontes.

Tesouros tem, gravados no granito
Nas fachadas das mansões, na sua traça,
Que extasiam os olhos de quem passa
Conferem-lhe um perfil robusto e bonito.

Herança deixada por remotas eras
Bordado a ouro pelas ninfas celtiberas
É o manto verde das vinhas, seu dossel.

Com plátanos centenários adornada
E por todos os seus filhos adorada.
Tem mais fama o seu vinho moscatel.

São Tomé

Pedi ao Tempo

saotome — 17-04-2009 GTM 1 @ 22:17

Em tempos, pedi ao tempo,
Que o tempo veloz passasse.
Mais tarde pedi ao tempo,
Que para mim ele parasse.
Já pedi demais ao tempo,
Até que ele me levasse
Para onde foram meus sonhos
Dos tempos que já lá vão,
Mas o tempo não me escuta
E cumpre a sua missão
De seguir a sua sina.
O tempo atrás já não volta,
Mas eu queria voltar
Aos meus tempos de menina.

Sonhando Com Distâncias

saotome — 06-02-2009 GTM 1 @ 22:24

O dia já despertou
Quente e luminoso
Lá fora um Sol radioso,
Dando às cores a magia.
Por isso vou à beira mar
Deixar a minha nostalgia
E espraiar o olhar
Pela imensa vastidão,
Até o perder na fusão
Do azul cinzento e profundo.
Porque além do horizonte
Oiço a voz dum novo mundo
Que me instiga a sonhar
Com longínquos voos
Não nas asas duma gaivota,
Mas nas asas dum avião,
Que me levará a lugares
Que ainda não conheci,
Como às ilhas do Havai,
Ou às estepes na Sibéria,
Quem sabe à tundra
Dum Árctico florido,
E aquecido
Pelo Sol da Primavera
E num desses remotos lugares
Estejas tu à minha espera.

São Tomé

Espirito Livre

saotome — 15-11-2008 GTM 1 @ 23:25

Sentir o espírito livre
E seguir o voo da águia
E da gaivota
Sem se importar com a rota
É não estar presa
A qualquer preconceito.
É respeitar
Todas as crenças e religiões
E não professar nenhuma delas.
É ter o seu próprio código de conduta
Sem chocar com o dos outros.
É entender os ciclos naturais da vida
É escutar a voz do silêncio,
Subir ao alto da montanha
Gritar ao vento que passa
E olhar o mundo a seus pés.
É ser como pássaro agreste
À conquista das alturas
Desprender-se das futilidades terrestres
Sem penas, nem amarguras.

São Tomé

Natal de Hoje

saotome — 15-11-2008 GTM 1 @ 15:17

É só um céu a fingir
De luzes e cores ofuscantes
Ao arco-íris roubadas
E muito bem embrulhadas
Em papel para presentes.
É Natal!
O mundo rejubilou
E o Dia vai festejar
Muitos irão reflectir,
Interrogar-se-hão…
Quanto tempo ainda p’ra vir
Quantos clamores soçobrarão,
Até tocarem o humano coração
E um verdadeiro céu se iluminar
Com o brilho omnipresente
Da Estrela da Paz,
Do Amor e da Fraternidade,
A inundar toda a humanidade.

São Tomé