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Cavalo Doido

saotome — 04-02-2010 GTM 1 @ 14:32

Porque é que o meu coração
Sempre quieto e mansinho,
De repente disparou
Como um cavalo empinado
Ao estalo do chicote,
Que desenfreou num galope
Como um “ginete” selvagem
Em busca de novos prados,
Para além do horizonte.
Nem a minha voz de comando
O conseguiu deter…
Porque o meu coração,
Que era tão sossegadinho,
Parece um cavalo doido
Sem querer me obedecer.

Alma Peregrina

saotome — 31-01-2010 GTM 1 @ 18:36

Quantas vezes a minha alma
Se despe subtilmente de mim
Para peregrinar pelos caminhos
Do Universo, sem fim
À procura de compreender
Porque nos comportamos assim
Com o nosso frágil e belo planeta,
Um pequenino ponto azul
Na imensidão do cosmos,
Que nós tanto maltratamos,
Sem sequer nos apercebermos
Do mal que nos fazemos,
Com a nossa insensatez
Com a absurda ambição
Da riqueza e do poder,
Como se isso pudesse valer
Para nos isentar da morte.
Mas vistos lá do alto
Somos um só corpo celestial,
Sem diferenças de raças ou credos,
Sem fronteiras ou classe social.

Dom da Ubiquidade

saotome — 22-01-2010 GTM 1 @ 18:17

Ah! Como eu queria
Ter o dom da ubiquidade,
Para transpor a distância
E o tempo que nos separa
Poder sentar-me a teu lado
Junto à silenciosa mesa
Rústica e enegrecida
Pelas corrosivas poeiras da vida.
Escutar uma música celestial
Com o coração exultado a palpitar
Sem que o tempo por nós passasse
Nem o nosso corpo acusasse
A força implacável da gravidade
E os nossos corações intactos,
Inocentes e sonhadores,
Como dois eternos amores
A ignorarem o peso da idade.

Regato de Memórias

saotome — 22-01-2010 GTM 1 @ 17:45

Águas que passais cantantes
Por esse regato de memórias
Que guarda nossas estórias
E segredos inocentes,
Onde o rouxinol cantava
Connosco, ao desafio
E a cotovia escutava
Escondida no caminho
Quando vinhas ter comigo
P’ra espreitarmos um ninho,
Escondido entre o silvado
Que crescia emaranhado
Ao longo duma parede
Como o da poupa arrogante,
Com um cheiro nauseante
Feito de terra e excrementos
Que eu teimava em roubar
Mas tinha que o por de lado
Por não conseguir aguentar
O seu perfume afamado.

Caminho do Cateco-Cangola

saotome — 17-01-2010 GTM 1 @ 14:53

Era só um caminho,
Longo, poeirento, esburacado,
Que morria num trilho disfarçado
E perdido debaixo do alto capim
Que adentrava em zig-zag
Pela densa floresta.
De vez em quando, uma lebre
Ou uma perdiz mais destra,
Levantavam-se assustadas
E corriam desnorteadas
À frente dum jipe trepidante,
Até se embrenharem no capim.
O revoar de uma ave de rapina,
Efectuava o mais arriscado rally
Por entre as árvores gigantescas
Que se encontravam por ali,
Perseguindo a sua presa:
Um coelho, um camundongo
Ou uma cobra mais desavisada.
Mas de repente, à minha frente,
Aparecia o meu pequeno riacho,
No seu alvo leito de cascalho
E murmurando, ia-me guiando
Até ao grande Lucala,
Rio largo e caudaloso
Habitat de enormes jacarés,
Com suas margens enigmáticas
Que se abriam em grandes lagoas,
Abrigando as mais belas e variadas
Aves aquáticas,
E eu, deslumbrada
Com tamanha exuberância da Natureza.
Naquele momento, procurava
Sorver aqueles sons e cores,
Todas aquelas formas e aromas
Das mais exóticas flores
E toda a luz que um Sol radiante,
Derramava em mim naquele instante,
E me apontava o verdadeiro Paraíso.

Morada dos Ventos

saotome — 30-08-2009 GTM 1 @ 18:27

Subi até à morada dos Ventos
Entre montanhas e desfiladeiros
Seguindo pelos montes altaneiros
Á procura de resquícios doutros tempos.
Meus olhos deambularam pelo horizonte
Sobre a linha indefinida de cada monte.
E dessas alturas senti-me a flutuar
Como nuvem leve e contemplativa
Que vê o mundo como um astro a girar
Silencioso, exuberante e calmo
Com a pujança da natureza soberana,
Numa verdadeira exaltação à vida
Sem vandalismos ou incoerência humana.

A Nossa Terra

saotome — 22-08-2009 GTM 1 @ 19:21

Minha terra tem belezas
Que noutras terras não há
Encantam quem aqui passa
E que por Divina graça,
Só se encontram mesmo cá.
Os seus laranjais em flor
Alcandorados nas fragas
Como quem namora o rio
Da varanda dum condor,
Abrindo sobre ele as asas
Num constante desafio.
Tem dois rios a seus pés
Que lhe conferem grandeza
Qual deles o mais formoso
O rio Tua e o Douro
Como um valioso tesouro
De luxuriante beleza.
Os socalcos de vinhedos
Guardam eternos segredos
Do seu vinho generoso
No mundo inteiro famoso.
A Banda, já bicentenária,
Criou fama o seu rufar,
E muita gente acredita,
Que nesta terra bendita,
Que é S. Mamede Ribatua,
Até as pedras da rua… Sabem tocar!

Um Dia Voltarei

saotome — 16-07-2009 GTM 1 @ 19:45

Um dia, voltarei ao meu sertão,
Quando o Sol iluminar mais uma vez
O manto verde que envolve sua tez
E avivar os matizes do rubro chão.

Para sorver o orvalho de cada flor
Como néctar saciando a minha sede,
Sentir o frescor do cajueiro verde
Quando mais se intensificar o calor.

Então espalharei o meu cansaço,
Pela solidão do tempo e do espaço
E no meio dessa magia envolvida

Pelo revoar duma ave de rapina,
Quando por mim passar em surdina
E sentir que de novo voltei à vida.

São Tomé

Paz e Quietude

saotome — 10-06-2009 GTM 1 @ 21:40

aves.jpg

Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.

Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.

Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.

Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.