R e f l e x o
Pela noite longa e fria,
Adensa-se a solidão
E um arrepio de saudade
Estremece um coração.
O vento intruso e sibilante,
Como o tanger plangente
Duma guitarra esquecida,
Entra pela pequena frincha
Da janela carcomida
Pelas intempéries da vida.
E um olhar absorto e cansado,
Abraça a crepitante fogueira,
Atiçada pela tosca lareira,
Onde espirais de fumo dançante,
Desenham nítida imagem
Como insólita miragem
A deixar gravada para sempre
No recôndito da memória,
O reflexo de uma história,
Qual Fénix adormecida,
À espera de renascer p’ra vida.


Do Melhor
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