Paz e Quietude

Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.
Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.
Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.
Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.
Do Melhor
Linkk |
del.icio.us Alijó, Princesa de Trás-os-Montes
Alijó, princesa de Trás-os-Montes,
Erigida no sopé duma colina,
Tem um ar travesso de eterna menina,
Sacia a sede na frescura de mil fontes.
Tesouros tem, gravados no granito
Nas fachadas das mansões, na sua traça,
Que extasiam os olhos de quem passa
Conferem-lhe um perfil robusto e bonito.
Herança deixada por remotas eras
Bordado a ouro pelas ninfas celtiberas
É o manto verde das vinhas, seu dossel.
Com plátanos centenários adornada
E por todos os seus filhos adorada.
Tem mais fama o seu vinho moscatel.
São Tomé
Pedi ao Tempo
Em tempos, pedi ao tempo,
Que o tempo veloz passasse.
Mais tarde pedi ao tempo,
Que para mim ele parasse.
Já pedi demais ao tempo,
Até que ele me levasse
Para onde foram meus sonhos
Dos tempos que já lá vão,
Mas o tempo não me escuta
E cumpre a sua missão
De seguir a sua sina.
O tempo atrás já não volta,
Mas eu queria voltar
Aos meus tempos de menina.
Sonhando Com Distâncias
O dia já despertou
Quente e luminoso
Lá fora um Sol radioso,
Dando às cores a magia.
Por isso vou à beira mar
Deixar a minha nostalgia
E espraiar o olhar
Pela imensa vastidão,
Até o perder na fusão
Do azul cinzento e profundo.
Porque além do horizonte
Oiço a voz dum novo mundo
Que me instiga a sonhar
Com longínquos voos
Não nas asas duma gaivota,
Mas nas asas dum avião,
Que me levará a lugares
Que ainda não conheci,
Como às ilhas do Havai,
Ou às estepes na Sibéria,
Quem sabe à tundra
Dum Árctico florido,
E aquecido
Pelo Sol da Primavera
E num desses remotos lugares
Estejas tu à minha espera.
São Tomé
Espirito Livre
Sentir o espírito livre
E seguir o voo da águia
E da gaivota
Sem se importar com a rota
É não estar presa
A qualquer preconceito.
É respeitar
Todas as crenças e religiões
E não professar nenhuma delas.
É ter o seu próprio código de conduta
Sem chocar com o dos outros.
É entender os ciclos naturais da vida
É escutar a voz do silêncio,
Subir ao alto da montanha
Gritar ao vento que passa
E olhar o mundo a seus pés.
É ser como pássaro agreste
À conquista das alturas
Desprender-se das futilidades terrestres
Sem penas, nem amarguras.
São Tomé
Natal de Hoje
É só um céu a fingir
De luzes e cores ofuscantes
Ao arco-íris roubadas
E muito bem embrulhadas
Em papel para presentes.
É Natal!
O mundo rejubilou
E o Dia vai festejar
Muitos irão reflectir,
Interrogar-se-hão…
Quanto tempo ainda p’ra vir
Quantos clamores soçobrarão,
Até tocarem o humano coração
E um verdadeiro céu se iluminar
Com o brilho omnipresente
Da Estrela da Paz,
Do Amor e da Fraternidade,
A inundar toda a humanidade.
São Tomé
Hei-de Voltar
Hei-de voltar… Voltar sempre
Ao teu pó, ao teu chão
Abraçar-te com carinho
Mesmo que o mundo se ausente,
Mesmo que se levante
Poeira no meu caminho.
Para te olhar ternamente
Nos matizes dos teus campos,
Colher as amoras já maduras,
Sentir o aroma de cada rosmaninho.
Perscrutar o firmamento
Na placidez das noites mais escuras
Ouvindo o sussurro do vento
E olhar no céu esses luzeiros,
Para onde foram os primeiros
Sonhos, que ainda acalento,
Como se o espaço do tempo
Não fosse maior que um menino
Brincando nas asas do vento.
Para ti hei-de voltar
Sempre que a saudade apertar.
São Tomé
Olhares Perdidos na Cidade
Andam olhares perdidos
No meio da multidão
Aos vagos rostos fugidos.
Parecem intrépidos remoinhos
De folhas mortas no chão
São olhares bem diluídos
No crepúsculo das fachadas
Nuas e degradadas
Que esperam ansiosas
Pelas iminentes derrocadas
De suas vidas já vencidas.
São olhares amedrontando
O coração da cidade,
(Invadida por bandos de corvos
em aves do paraíso disfarçados)
Olhares ansiosos espreitando
O dobrar de cada esquina
Ou galgando o velho muro,
Tentando vislumbrar
Um melhor caminho pró futuro.
São Tomé
Bom Dia! Bom Dia!

(Muito especial para a talentosa poetisa
São Tomé
Com muito carinho)
(Tudo quanto é bom se deve dividir
Com os amigos)
SENHORA
Bom dia! Bom dia! Lá fora Febo convida,
Ir assistir ao seu festival d’aureo fulgor,
A passada ajuda ao concerto como cantor,
Ou seja o arauto com um novo dia de vida!
Que nos chama ao festejo ao nosso favor
Que promete ser dádiva divina prometida,
A gozar; é um dia que vai passar de corrida,
É um dia que Deus nos dá pra lhe dar valor!
Tudo mexe, canta; Além a lépida toutinegra,
Busca musgo, palhinhas pra ninho, terra negra,
O jardim em arrebol, mostra os rebentos seus…
É dia! Aí vem um bom dia, que lhe comunico,
São horas de aspirar este momento rico,
Um dia assim lindo é um brinde de Deus!
Nelson Fontes Carvalho ( Nelfoncar)
AMORA / Belverde




