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Arquivo: Maio 2008

Raiz Que Me Prendia

saotome 28/05/2008 @ 15:00

Arranquei essa raíz que me prendia
À terra vermelha, que cantei ainda em flor
Onde a luz da aurora despertava o meu amor
Que nos braços indolentes do rio adormecia.

Arranquei essa raíz que me prendia
À franja verde da encosta, onde o meu olhar subia
Ao encontro do infinito azul celeste,
Que por entre o arvoredo me sorria.

Arranquei essa raíz que me prendia
Á azáfama das "Pintadas" ciscando a terra,
Numa luxuriante embriaguês silvestre
Entoando à vida o seu alegre cacarejar.

Arranquei essa raíz que me prendia
À terra vermelha, dos aromas inebriantes
Que a chuva misturava e a brisa difundia
Ao som de exótica sinfonia das rãs a coaxar.

Arranquei essa raíz que me prendia
Ao sonho, que um dia ela voltaria a brotar,
Mas o sonho não passou de quimera, de utopia
E o tronco entorpecido ficou no tempo a flutuar.

Donos do Mundo

saotome 16/05/2008 @ 16:01

Dentro de mim, coabitam em dualidade
O Silêncio explodindo no trovão,
Que catapultam a voz da minha razão
Aos vastos campos da irracionalidade.

Que caminhos percorre a humanidade?...
Por este planeta feroz, mas ainda rotundo
Porque não se chega à consensualidade
Que ninguém é o verdadeiro dono do mundo.

NAS ASAS DO CONDOR

saotome 16/05/2008 @ 15:43

Nas asas do Condor voa meu sonho
Tangendo o purpúreo horizonte
Na linha azul do verde-mar,
Traçando uma directriz, plangente
Ao iniciar a descida inclemente
Para um mundo mais real.
Nas alterosas, o silêncio é lei absoluta
E o mundo abaixo,parece quieto, sublime
Sem o abismo da consistente luta.
Mas o sonho, é sonho, é quimera
Como a ilusão no vórtice do turbilhão.
O mundo real fica mais frio, mais cruel
Com o gosto agridoce do mel e do fel.
E quando o Condor no céu é uma visão,
Carrega nas asas o meu sonho
E o um icástico coração.