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Categoria: Cantinho Poético

Morada dos Ventos

saotome 30/08/2009 @ 18:27

Subi até à morada dos Ventos
Entre montanhas e desfiladeiros
Seguindo pelos montes altaneiros
Á procura de resquícios doutros tempos.
Meus olhos deambularam pelo horizonte
Sobre a linha indefinida de cada monte.
E dessas alturas senti-me a flutuar
Como nuvem leve e contemplativa
Que vê o mundo como um astro a girar
Silencioso, exuberante e calmo
Com a pujança da natureza soberana,
Numa verdadeira exaltação à vida
Sem vandalismos ou incoerência humana.

Sonhando Com Distâncias

saotome 06/02/2009 @ 22:24

O dia já despertou
Quente e luminoso
Lá fora um Sol radioso,
Dando às cores a magia.
Por isso vou à beira mar
Deixar a minha nostalgia
E espraiar o olhar
Pela imensa vastidão,
Até o perder na fusão
Do azul cinzento e profundo.
Porque além do horizonte
Oiço a voz dum novo mundo
Que me instiga a sonhar
Com longínquos voos
Não nas asas duma gaivota,
Mas nas asas dum avião,
Que me levará a lugares
Que ainda não conheci,
Como às ilhas do Havai,
Ou às estepes na Sibéria,
Quem sabe à tundra
Dum Árctico florido,
E aquecido
Pelo Sol da Primavera
E num desses remotos lugares
Estejas tu à minha espera.

São Tomé

Natal de Hoje

saotome 15/11/2008 @ 15:17

É só um céu a fingir
De luzes e cores ofuscantes
Ao arco-íris roubadas
E muito bem embrulhadas
Em papel para presentes.
É Natal!
O mundo rejubilou
E o Dia vai festejar
Muitos irão reflectir,
Interrogar-se-hão…
Quanto tempo ainda p’ra vir
Quantos clamores soçobrarão,
Até tocarem o humano coração
E um verdadeiro céu se iluminar
Com o brilho omnipresente
Da Estrela da Paz,
Do Amor e da Fraternidade,
A inundar toda a humanidade.

São Tomé

Hei-de Voltar

saotome 08/11/2008 @ 22:21

Hei-de voltar… Voltar sempre
Ao teu pó, ao teu chão
Abraçar-te com carinho
Mesmo que o mundo se ausente,
Mesmo que se levante
Poeira no meu caminho.
Para te olhar ternamente
Nos matizes dos teus campos,
Colher as amoras já maduras,
Sentir o aroma de cada rosmaninho.
Perscrutar o firmamento
Na placidez das noites mais escuras
Ouvindo o sussurro do vento
E olhar no céu esses luzeiros,
Para onde foram os primeiros
Sonhos, que ainda acalento,
Como se o espaço do tempo
Não fosse maior que um menino
Brincando nas asas do vento.
Para ti hei-de voltar
Sempre que a saudade apertar.

São Tomé

Olhares Perdidos na Cidade

saotome 23/10/2008 @ 22:00

Andam olhares perdidos
No meio da multidão
Aos vagos rostos fugidos.
Parecem intrépidos remoinhos
De folhas mortas no chão
São olhares bem diluídos
No crepúsculo das fachadas
Nuas e degradadas
Que esperam ansiosas
Pelas iminentes derrocadas
De suas vidas já vencidas.
São olhares amedrontando
O coração da cidade,
(Invadida por bandos de corvos
em aves do paraíso disfarçados)
Olhares ansiosos espreitando
O dobrar de cada esquina
Ou galgando o velho muro,
Tentando vislumbrar
Um melhor caminho pró futuro.

São Tomé

Raiz Que Me Prendia

saotome 28/05/2008 @ 15:00

Arranquei essa raíz que me prendia
À terra vermelha, que cantei ainda em flor
Onde a luz da aurora despertava o meu amor
Que nos braços indolentes do rio adormecia.

Arranquei essa raíz que me prendia
À franja verde da encosta, onde o meu olhar subia
Ao encontro do infinito azul celeste,
Que por entre o arvoredo me sorria.

Arranquei essa raíz que me prendia
Á azáfama das "Pintadas" ciscando a terra,
Numa luxuriante embriaguês silvestre
Entoando à vida o seu alegre cacarejar.

Arranquei essa raíz que me prendia
À terra vermelha, dos aromas inebriantes
Que a chuva misturava e a brisa difundia
Ao som de exótica sinfonia das rãs a coaxar.

Arranquei essa raíz que me prendia
Ao sonho, que um dia ela voltaria a brotar,
Mas o sonho não passou de quimera, de utopia
E o tronco entorpecido ficou no tempo a flutuar.

Donos do Mundo

saotome 16/05/2008 @ 16:01

Dentro de mim, coabitam em dualidade
O Silêncio explodindo no trovão,
Que catapultam a voz da minha razão
Aos vastos campos da irracionalidade.

Que caminhos percorre a humanidade?...
Por este planeta feroz, mas ainda rotundo
Porque não se chega à consensualidade
Que ninguém é o verdadeiro dono do mundo.

NAS ASAS DO CONDOR

saotome 16/05/2008 @ 15:43

Nas asas do Condor voa meu sonho
Tangendo o purpúreo horizonte
Na linha azul do verde-mar,
Traçando uma directriz, plangente
Ao iniciar a descida inclemente
Para um mundo mais real.
Nas alterosas, o silêncio é lei absoluta
E o mundo abaixo,parece quieto, sublime
Sem o abismo da consistente luta.
Mas o sonho, é sonho, é quimera
Como a ilusão no vórtice do turbilhão.
O mundo real fica mais frio, mais cruel
Com o gosto agridoce do mel e do fel.
E quando o Condor no céu é uma visão,
Carrega nas asas o meu sonho
E o um icástico coração.

POESIA

saotome 23/03/2008 @ 15:24

Poesia…asa onde voam os nossos sonhos
…manjar que alimenta a nossa alma
…chama ardente que aquece o nosso coração
…és a voz trovejante da razão
…asa branca da fraternidade
…abraçando a humanidade
…entre os povos, elo forte de ligação
…dás sentido ao nosso Fado
…raio de luz na escuridão
…guia no caminho das Estrelas
…alazão cavalgando com o vento
…luz do Sol no prenúncio de mau tempo
…encantas as noites de luar
…tens nas Estrelas o teu manto
…vestes-te com o alecrim do monte
…passeias pelos campos verdejantes
...escutas os rios murmurantes
…deténs os segredos do mar
…és a frescura da água da fonte
…e um linimento para a tristeza
...quem te inventou?
...quem te criou?
Foi Deus com toda a certeza!

São Tomé – Amora - Portugal

POR ONDE ANDARÃO

saotome 12/03/2008 @ 19:32

Por onde andará
O Grande Espírito da Poesia
Com o seu sentido
De Paz, Amor e Harmonia…
Por onde andarão as palavras
Que constroem a esperança,
De um mundo melhor
Para toda a humanidade.
Que não fiquem perdidas no Vento
Nem o grito de liberdade da Gaivota
Convertido em lamento.
Por onde andarão os laços da fraternidade
Estreitando todos os corações
Que não fiquem adormecidos na Eterna Utopia
Que possam acordar um dia
Aceitarem as humanas imperfeições
E voltarem à vida terrena, sem restrições.

São Tomé