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Categoria: Cantinho Poético

Hei-de Voltar

saotome 08/11/2008 @ 22:21

Hei-de voltar… Voltar sempre
Ao teu pó, ao teu chão
Abraçar-te com carinho
Mesmo que o mundo se ausente,
Mesmo que se levante
Poeira no meu caminho.
Para te olhar ternamente
Nos matizes dos teus campos,
Colher as amoras já maduras,
Sentir o aroma de cada rosmaninho.
Perscrutar o firmamento
Na placidez das noites mais escuras
Ouvindo o sussurro do vento
E olhar no céu esses luzeiros,
Para onde foram os primeiros
Sonhos, que ainda acalento,
Como se o espaço do tempo
Não fosse maior que um menino
Brincando nas asas do vento.
Para ti hei-de voltar
Sempre que a saudade apertar.

São Tomé

Olhares Perdidos na Cidade

saotome 23/10/2008 @ 22:00

Andam olhares perdidos
No meio da multidão
Aos vagos rostos fugidos.
Parecem intrépidos remoinhos
De folhas mortas no chão
São olhares bem diluídos
No crepúsculo das fachadas
Nuas e degradadas
Que esperam ansiosas
Pelas iminentes derrocadas
De suas vidas já vencidas.
São olhares amedrontando
O coração da cidade,
(Invadida por bandos de corvos
em aves do paraíso disfarçados)
Olhares ansiosos espreitando
O dobrar de cada esquina
Ou galgando o velho muro,
Tentando vislumbrar
Um melhor caminho pró futuro.

São Tomé

Raiz Que Me Prendia

saotome 28/05/2008 @ 15:00

Arranquei essa raíz que me prendia
À terra vermelha, que cantei ainda em flor
Onde a luz da aurora despertava o meu amor
Que nos braços indolentes do rio adormecia.

Arranquei essa raíz que me prendia
À franja verde da encosta, onde o meu olhar subia
Ao encontro do infinito azul celeste,
Que por entre o arvoredo me sorria.

Arranquei essa raíz que me prendia
Á azáfama das "Pintadas" ciscando a terra,
Numa luxuriante embriaguês silvestre
Entoando à vida o seu alegre cacarejar.

Arranquei essa raíz que me prendia
À terra vermelha, dos aromas inebriantes
Que a chuva misturava e a brisa difundia
Ao som de exótica sinfonia das rãs a coaxar.

Arranquei essa raíz que me prendia
Ao sonho, que um dia ela voltaria a brotar,
Mas o sonho não passou de quimera, de utopia
E o tronco entorpecido ficou no tempo a flutuar.

Donos do Mundo

saotome 16/05/2008 @ 16:01

Dentro de mim, coabitam em dualidade
O Silêncio explodindo no trovão,
Que catapultam a voz da minha razão
Aos vastos campos da irracionalidade.

Que caminhos percorre a humanidade?...
Por este planeta feroz, mas ainda rotundo
Porque não se chega à consensualidade
Que ninguém é o verdadeiro dono do mundo.

NAS ASAS DO CONDOR

saotome 16/05/2008 @ 15:43

Nas asas do Condor voa meu sonho
Tangendo o purpúreo horizonte
Na linha azul do verde-mar,
Traçando uma directriz, plangente
Ao iniciar a descida inclemente
Para um mundo mais real.
Nas alterosas, o silêncio é lei absoluta
E o mundo abaixo,parece quieto, sublime
Sem o abismo da consistente luta.
Mas o sonho, é sonho, é quimera
Como a ilusão no vórtice do turbilhão.
O mundo real fica mais frio, mais cruel
Com o gosto agridoce do mel e do fel.
E quando o Condor no céu é uma visão,
Carrega nas asas o meu sonho
E o um icástico coração.

POESIA

saotome 23/03/2008 @ 15:24

Poesia…asa onde voam os nossos sonhos
…manjar que alimenta a nossa alma
…chama ardente que aquece o nosso coração
…és a voz trovejante da razão
…asa branca da fraternidade
…abraçando a humanidade
…entre os povos, elo forte de ligação
…dás sentido ao nosso Fado
…raio de luz na escuridão
…guia no caminho das Estrelas
…alazão cavalgando com o vento
…luz do Sol no prenúncio de mau tempo
…encantas as noites de luar
…tens nas Estrelas o teu manto
…vestes-te com o alecrim do monte
…passeias pelos campos verdejantes
...escutas os rios murmurantes
…deténs os segredos do mar
…és a frescura da água da fonte
…e um linimento para a tristeza
...quem te inventou?
...quem te criou?
Foi Deus com toda a certeza!

São Tomé – Amora - Portugal

POR ONDE ANDARÃO

saotome 12/03/2008 @ 19:32

Por onde andará
O Grande Espírito da Poesia
Com o seu sentido
De Paz, Amor e Harmonia…
Por onde andarão as palavras
Que constroem a esperança,
De um mundo melhor
Para toda a humanidade.
Que não fiquem perdidas no Vento
Nem o grito de liberdade da Gaivota
Convertido em lamento.
Por onde andarão os laços da fraternidade
Estreitando todos os corações
Que não fiquem adormecidos na Eterna Utopia
Que possam acordar um dia
Aceitarem as humanas imperfeições
E voltarem à vida terrena, sem restrições.

São Tomé

SEMENTES DE POESIA

saotome 04/03/2008 @ 16:15

Sementes que germinam,
Abundantes,
Nos vastos campos
Do sonho e da fantasia,
Transformam-se
Em Seara de Cultura,
Regadas pelas chuvas
Prateadas da poesia
E amadurecidas
Pelo ouro brilhante do Sol,
Que os Ventos da Liberdade,
Vão deixando ondulantes.
Assim teremos o pão,
Fermentado por poéticos corações,
Para alimentar a Humanidade,
Enfartada de paixões,
Mas tão faminta:
- De Paz, Amor e Fraternidade.

São Tomé

AQUELA PRAIA

saotome 04/03/2008 @ 16:13

Estendi meu corpo na branca areia
E deixei que a luz diáfana da manhã
O desfrutasse…
E um raio de Sol se transformasse
No teu corpo, trazido pela maré-cheia.
O sussurro do mar, como canto de sereia,
Trouxe até mim a tua longínqua voz
E eu,
De olhos cerrados como se estivéssemos sós,
Não sentia a multidão que nos rodeava,
Como se aquela praia fosse só para nós.

São Tomé

Trilogia...

saotome 03/03/2008 @ 12:47

Amor sem limites, carinho, ternura,
Com asas protectoras em extremos desvelos…
Sacrificios não medidos na grande ventura.
Mãe

Sonhos elevados ao cume do Olimpo
Esperanças subindo os caminhos da virtude…
Orgulho com emoção pranteado.
Pai

Ternura, tolerância, encantamento
E a magia de voltar a ser criança…
Sentimentos amadurecidos no calor do tempo.
Avós

São Tomé - Amora - Portugal

TRILOGIA – AVSPE – Brasil - 3/3/08
http://www.avspe.eti.br/eventos/trilogia/indice.html