O Fado e a Poesia
Nasceram juntos um dia
Quando a noite mal surgia,
Nas Vielas da saudade…
E jamais se separaram
Na tristeza e na alegria
Ou em vidas malfadadas
Porque o Fado e a Poesia
Andam sempre de mãos dadas.
São Tomé
A Verdura do meu Sentir - O meu Livro Digital editado pelo meu querido Pinhal Dias - Naturalidade S.Mamede de Ribatua
Nasceram juntos um dia
Quando a noite mal surgia,
Nas Vielas da saudade…
E jamais se separaram
Na tristeza e na alegria
Ou em vidas malfadadas
Porque o Fado e a Poesia
Andam sempre de mãos dadas.
São Tomé
Que Obra Poética nós dois juntos,
não faríamos…se ligássemos as nossas
veias e deixássemos fluir o rio de lava
que está retido nos nossos corações!...
São Tomé
Quando um punhado de pinhões
Era um presente de valor…
Para jogar ao “Rapa e Tudo Pões”
No aconchego da lareira,
Com o alegre crepitar da fogueira,
Ateando toda a paz e alegria
Nos nossos pequeninos corações!
Para sentir o verdadeiro espírito de Natal
Bastava receber só um pouco de pinhões.
São Tomé
Novembro/2007
Fugi á fria noite da solidão…
Procurando em ti um sol que me iluminasse
Mas as cores do Outono vieram cair mortas
Na minha mão…
E o gelado Inverno ditou que de cinzas eu me tapasse
São Tomé
Novembro /2007
Dois olhos sulcam as águas do largo rio
Perdidos na densa névoa da saudade.
Vem ao seu encontro uma solitária Escuna
Traçando um rasto de revoltosa espuma,
E sorvendo do ar a maresia da liberdade
Um cais moribundo expira ao abandono
Do tempo feito de decisões adiadas
Duas asas soltas recortam a clara luz
Difundida pelo infinito azul profundo
E o espelho dourado das águas quebra-se
Para mostrar o seu negro rosto ao Mundo.
São Tomé
Novembro/2007
Solta esse grito lacerante que te sufoca
Esse grito que tu prendes em cada nova alvorada
Deixa que ele se liberte do teu peito, sem teres medo
E se debata com os teus sonhos para não naufragar...
Mas vem que eu serei o teu profundo Mar
Vem soltar nele esse grito, sem segredo
Libertares essas penas de gaivota ferida
Renasceres para um novo mundo,
Para uma nova vida.
Vem desaguar em mim...
Que eu serei o teu Mar profundo.
S.Tomé - Agosto 2007
Depois de tanto que já foi cantado,
Depois de tanto que já foi escrito,
Depois de tanto que já foi dito,
Em verso e em prosa,
Através dos séculos, através dos milénios,
Depois de tantos apelos:
Ao amor, á paz, á liberdade, á beleza,
Á preservação da natureza,
Á solidariedade,
Depois de se bradar tanta repulsa
Contra as guerras, contra a fome,
Contra a dor, contra a falta de amor,
Contra a insensibilidade,
Nem mesmo assim tudo isto junto,
Chegou para o rumo do mundo mudar,
E para fazer com que o bem,
Vencesse tanto mal,
Para travar o avanço dos Senhores da guerra
E da destruição,
Para se construir um mundo novo
A que todos igualmente temos direito!
Então o que faço eu para impedir isto? …
Interroguem-se também todos vós! …
São Tomé
Águia cansada, que vais voando;
De sonho em sonho,
Á procura de um abrigo…
Deixa de viver sempre sonhando.
Procura o repouso nessa ventura
Que é um abraço amigo
E que anda mais perto do chão…
Em vez das asas, abre o teu coração!...
São Tomé – Agosto/2007
Cabelos negros ondeantes como calmas marés,
Moldura perfeita de um rosto angelical,
Realçando a brancura de uma tez
E a verdura de um intenso e meigo olhar.
Quando soltos ao vento, em frenético desalinho,
Lembravam aves precursoras á procura do seu ninho.
Como a noite sem luar, em longa cascata caídos,
Como um manto a tapar os ombros adormecidos.
Mas o inexorável tempo tudo levou sem compaixão…
Agora, em vez de negros, já são brancos;
Perderam o brilho e a cor, ficaram sem os encantos,
E lá vão caindo como folhas mortas, soltas pelo chão,
Testemunho de quem foi jovem e formosa e hoje, já não!...
São Tomé – Agosto/2007
Vem até mim uma profunda melancolia
Invadir abruptamente meus pensamentos
E deixá-los em total desorganização.
Ficam tristes os meus olhos e o coração
Que vão divagando por lugares distantes,
Onde conheci a grande felicidade!…
Agora, esta angústia que me invade,
Como que uma enfermidade da alma,
Quase supera toda esta nostalgia.
Para debelar tão funestos sentimentos,
Lembro-me que existe uma linda melodia,
Que eleva o meu espírito e me acalma;
Deixo-me invadir por essa música celestial
E danço só para mim, com passo magistral
Gargalhando em surdina ou rodopiando,
Assim a melancolia, aos poucos vai esmorecendo!...
São Tomé - Agosto/2007