Ah! Se não fosse essa alta barreira,
Mesmo á beirinha da estrada,
Que me impede de subir
Ao mais alto desse lugar,
Como uma Águia-real, eu voaria,
Mas em direcção ao passado…
E então de novo veria:
Os campos de milho verde,
Os vinhedos alinhados e bem cuidados,
Com os seus cachos de uvas douradas,
Os lameiros de erva luzidia,
As árvores aonde eu subia, quando descobria
Que tinham algum ninho,
Só para ver os pequenos passarinhos,
O regato sinuoso e murmurante,
O canto da Poupa, da Cotovia e do Rouxinol,
- Esquivo que eu nunca via!
O Cuco anunciando a Primavera,
Os campos verdes, matizados de branco e amarelo,
Como se fossem uma única flor,
Que eu colhia para extasiar o meu olhar
Com tanta beleza e cor!
O bailado das copas dos pinheiros ao sabor do vento,
Que eu acompanhava, rodopiando e gargalhando!
Os meus pés descalços na terra,
Os meus folguedos de criança azougada,
Ah! Como então eu era feliz…
E como voltaria a viver de bom grado esse passado!...
São Tomé