Ribeiro da minha Terra
Oh! Ribeiro da minha infância,
O que fizeram de ti agora?...
Corrias livre e selvagem,
Eu ia sempre contigo,
Pulando de pedra em pedra ,
Correndo de margem em margem!
Hoje, estás aprisionado
Em açudes de betão,
Para seres o espelho d’água,
Mas com água cor de carvão!
Já nem as rãs são tão livres,
Como o eram estão!...
Escondiam-se sob as pedras,
Onde eu, (a malvada) as caçava
Com um improvisado arpão,
Feito de um garfo e uma cana.
Tão alegre e despreocupada
Que nem dava por mais nada…
Só quando a minha mãe chamava,
Com um gesto muito irritado,
E gritava:
Menina!!!... Sai já da água
Que apanhas um resfriado!
Ribeiro da minha infância,
Para onde foste levado?...
Porque esse que eu veja agora,
Não é o meu ribeiro de outrora!? …
São Tomé
( Esta menina era bem Maria-rapaz, jogava bola, subia em árvores
para ver passarinhos nos ninhos e ainda caçava as rãs com uma cana e um
garfo, mas não gostou de ver o seu ribeiro de infância conspurcado)


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