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Categoria: Cantinho Poético

Ribeiro da minha Terra

saotome 24/07/2007 @ 12:49

Oh! Ribeiro da minha infância,
O que fizeram de ti agora?...
Corrias livre e selvagem,
Eu ia sempre contigo,
Pulando de pedra em pedra ,
Correndo de margem em margem!

Hoje, estás aprisionado
Em açudes de betão,
Para seres o espelho d’água,
Mas com água cor de carvão!
Já nem as rãs são tão livres,
Como o eram estão!...

Escondiam-se sob as pedras,
Onde eu, (a malvada) as caçava
Com um improvisado arpão,
Feito de um garfo e uma cana.
Tão alegre e despreocupada
Que nem dava por mais nada…

Só quando a minha mãe chamava,
Com um gesto muito irritado,
E gritava:
Menina!!!... Sai já da água
Que apanhas um resfriado!

Ribeiro da minha infância,
Para onde foste levado?...
Porque esse que eu veja agora,
Não é o meu ribeiro de outrora!? …

São Tomé

( Esta menina era bem Maria-rapaz, jogava bola, subia em árvores
para ver passarinhos nos ninhos e ainda caçava as rãs com uma cana e um
garfo, mas não gostou de ver o seu ribeiro de infância conspurcado)

Pinheiros da minha Terra

saotome 23/07/2007 @ 12:59

Mil pinheiros se levantam,
Em frente à minha janela,
Como soldados garbosos,
Perfilados para a guerra!...

Lançam dardos e flechas,
Quando o vento os açoita,
Mas sempre ficam de pé,
Firmes e destemidos,
Como a quererem proteger-me
De imaginários perigos!...

Meus olhos ficam da cor
Do verde das suas fardas,
Retenho-lhe a sua imagem
Para onde será que eles vão?...

Meus soldados quem me dera,
Que ficassem sempre aí,
Meus olhos pedem-lhe paz.
Que o fogo inimigo não os destrua
E que as raízes que lançarem,
Cheguem mesmo à minha rua!...

São Tomé

Pinhal, meu sólido Mar

saotome 23/07/2007 @ 12:49

Pinhal, meu sólido Mar,
Tão verde e sempre agitado
Nas altas copas, pelo vento apressado,
Sempre te procuro
Nas manhãs mais ensolaradas,
E faço longas caminhadas,
Por tuas matizadas veredas,
De silvados, rosmaninhos e estevas,
O ar que em ti respiro é mais puro
E para a minha alma procuro
A quietude, a paz e o silêncio,
Que só junto a ti encontro.
Fico absorta em meus pensamentos,
Elevo o meu olhar bem para as alturas
E sinto a presença de Deus mais perto.
O cheiro forte das tuas resinas,
E o bulir constante das tuas agulhas,
Despertam em mim profundos sentimentos,
Sinto-me flutuar por breves momentos
Como se fosse uma Fada dos altos bosques,
Protegida por Duendes, com as suas hostes!...

São Tomé

Pinhas ou Pinhal

saotome 21/07/2007 @ 18:28

Fui ao Pinhal procurar
Pinhas para o meu fogão,
Mas o Pinhal estava verde,
Não tinha pinhas no chão.

Procurei noutro Pinhal,
Mas também pinhas não vi,
Só que preciso das pinhas,
Como eu preciso de ti!...

São Tomé

Voz do Nosso Mar

saotome 21/07/2007 @ 12:58

É uma voz longínqua que nos chama
E que dentro de nós se agita,
Num constante marulhar,
Como altas marés nas veias a latejar
Ou ondas encrespadas a palpitar no coração.
É assim a voz do nosso Mar…
Que um dia já distante foi levar
Ao mundo desconhecido, a Fé e a nossa Grei,
Retornando com riquezas (já vencidas)!...
Quantos de nós ao te olharmos ó Mar,
Deixamos as nossas mágoas ficar
A grãos de areia reduzidas…
E os nossos sonhos se agigantar…
Desafiando os mistérios da tua imensidão…
Mar nosso português… feito do sal das nossas vidas
Que são lágrimas por todos nós já sentidas!...
É a tua voz Mar português… é a tua voz!...

São Tomé

Dia Mundial do Amigo

saotome 20/07/2007 @ 17:03

(Para um Amigo Especial)

O Mundo gira,
O Tempo passa,
A Noite dá lugar ao Dia,
Os Sonhos desvanecem,
Os Amores esmorecem,
Mas a verdadeira Amizade é eterna

São Tomé - 20/07/2007

Mundo de Mim Perdido

saotome 18/07/2007 @ 16:21

Venho de um Mundo distante,
Para lá do Equador,
Para mim, perdido ou talvez inexistente,
Mundo de dádivas, fértil de flores, frutos e amor,
De aromas fortes e quentes,
Que impregnavam o ar.
Terras vermelhas, de riquezas abundantes,
Brisas cálidas em noites transparentes,
Silêncios profundos, tocando a solidão,
Rugidos de feras ressoando livres pela vastidão.
Cores celestes, matizando auroras florescidas,
Brumas alvas, junto ao mar desvanecidas,
Brancas ondas, pelas praias perdidas,
Plantas raras e exóticas, nos jardins a exalar,
Sonhos voando em todas as direcções,
Sorrisos cativando os corações,
Amizades fortalecidas por abraços,
Solidariedade, vencendo todos os cansaços,
Vidas que partilhavam com outras vidas,
Em perfeita comunhão.
Mundo este que foi ferido na alma e no coração,
Pela fome da cobiça e da ambição…
Mundo meu… que de mim ficou perdido!...

São Tomé

Entre o Céu e a Terra

saotome 17/07/2007 @ 15:09

Pertenço a um lugar que já não existe,
E porque já não existe, já não lhe pertenço.
Sou um caminho aberto á nova esperança,
Que em altos voos, pelo mundo anda a pairar,
De manhã comungo com o Sol,
À noite com as Estrelas e o Luar…
Deixo os meus tristes pensamentos ao mar…
Fico suspensa em castelos de nuvens brancas,
Que o vento leva sem saber a que lugar…
Ando á tua procura sem saber aonde te procurar,
Mas entre o Céu e a Terra, ainda te hei-de encontrar!...

São Tomé

Ver o mar

saotome 15/07/2007 @ 13:18

Mar!...
Como prometi, voltei para te visitar
E tu, cá em cima á minha espera,
Mas já com pressa de partires…
Estavas triste, com vontade de chorar…
Envolto em escura neblina, como frio manto
Agitado pelo irrequieto vento.
Um bando de gaivotas, também veio
Num adejar de despedida, em voo rasante,
Partindo de seguida ao encontro
Do recheio do teu ventre…
Agora, eu te peço:
Não fiques tão preocupado,
Porque dias mais quentes virão,
Ainda num espaço de tempo encurtado
E nós então, iremos ficar de braço dado,
Porque eu, ainda te amo tanto!...

São Tomé

Visitando o Mar

saotome 15/07/2007 @ 00:03

Como eu queria de novo ó Mar,
As tuas águas singrar,
Rumo aquele porto seguro,
Ancorar de novo
No cais “Sem Medo do Futuro”,
Onde a minha ancora maior
Ficou bem presa no fundo
Do teu coração…
Hoje, venho aqui só para te visitar;
Para quando chegasses cá deste lado,
Mas tu ainda vens a caminho,
Ainda estás muito recuado.
A linha do horizonte,
Funde-se com a penumbra,
Da neblina matinal,
Limitando a minha visão.
Mas longe… bem ao longe,
Ainda se vislumbra
A vela de um barquinho,
Que como eu, anda solitário
Sobre essa tua vastidão…
Também hoje, não vejo
As asas de nenhuma gaivota a pairar,
Nem o seu grito de alerta,
Quando algumas sardinhas,
Fogem do seu cardume
E ficam pela praia a saltitar.
Mar!... Espera por mim amanhã,
Que eu por ti, vou cá voltar!...

São Tomé