Pinhas ou Pinhal
Fui ao Pinhal procurar
Pinhas para o meu fogão,
Mas o Pinhal estava verde,
Não tinha pinhas no chão.
Procurei noutro Pinhal,
Mas também pinhas não vi,
Só que preciso das pinhas,
Como eu preciso de ti!...
São Tomé
A Verdura do meu Sentir - O meu Livro Digital editado pelo meu querido Pinhal Dias - Naturalidade S.Mamede de Ribatua
Fui ao Pinhal procurar
Pinhas para o meu fogão,
Mas o Pinhal estava verde,
Não tinha pinhas no chão.
Procurei noutro Pinhal,
Mas também pinhas não vi,
Só que preciso das pinhas,
Como eu preciso de ti!...
São Tomé
É uma voz longínqua que nos chama
E que dentro de nós se agita,
Num constante marulhar,
Como altas marés nas veias a latejar
Ou ondas encrespadas a palpitar no coração.
É assim a voz do nosso Mar…
Que um dia já distante foi levar
Ao mundo desconhecido, a Fé e a nossa Grei,
Retornando com riquezas (já vencidas)!...
Quantos de nós ao te olharmos ó Mar,
Deixamos as nossas mágoas ficar
A grãos de areia reduzidas…
E os nossos sonhos se agigantar…
Desafiando os mistérios da tua imensidão…
Mar nosso português… feito do sal das nossas vidas
Que são lágrimas por todos nós já sentidas!...
É a tua voz Mar português… é a tua voz!...
São Tomé
(Para um Amigo Especial)
O Mundo gira,
O Tempo passa,
A Noite dá lugar ao Dia,
Os Sonhos desvanecem,
Os Amores esmorecem,
Mas a verdadeira Amizade é eterna
São Tomé - 20/07/2007
Venho de um Mundo distante,
Para lá do Equador,
Para mim, perdido ou talvez inexistente,
Mundo de dádivas, fértil de flores, frutos e amor,
De aromas fortes e quentes,
Que impregnavam o ar.
Terras vermelhas, de riquezas abundantes,
Brisas cálidas em noites transparentes,
Silêncios profundos, tocando a solidão,
Rugidos de feras ressoando livres pela vastidão.
Cores celestes, matizando auroras florescidas,
Brumas alvas, junto ao mar desvanecidas,
Brancas ondas, pelas praias perdidas,
Plantas raras e exóticas, nos jardins a exalar,
Sonhos voando em todas as direcções,
Sorrisos cativando os corações,
Amizades fortalecidas por abraços,
Solidariedade, vencendo todos os cansaços,
Vidas que partilhavam com outras vidas,
Em perfeita comunhão.
Mundo este que foi ferido na alma e no coração,
Pela fome da cobiça e da ambição…
Mundo meu… que de mim ficou perdido!...
São Tomé
Pertenço a um lugar que já não existe,
E porque já não existe, já não lhe pertenço.
Sou um caminho aberto á nova esperança,
Que em altos voos, pelo mundo anda a pairar,
De manhã comungo com o Sol,
À noite com as Estrelas e o Luar…
Deixo os meus tristes pensamentos ao mar…
Fico suspensa em castelos de nuvens brancas,
Que o vento leva sem saber a que lugar…
Ando á tua procura sem saber aonde te procurar,
Mas entre o Céu e a Terra, ainda te hei-de encontrar!...
São Tomé
Mar!...
Como prometi, voltei para te visitar
E tu, cá em cima á minha espera,
Mas já com pressa de partires…
Estavas triste, com vontade de chorar…
Envolto em escura neblina, como frio manto
Agitado pelo irrequieto vento.
Um bando de gaivotas, também veio
Num adejar de despedida, em voo rasante,
Partindo de seguida ao encontro
Do recheio do teu ventre…
Agora, eu te peço:
Não fiques tão preocupado,
Porque dias mais quentes virão,
Ainda num espaço de tempo encurtado
E nós então, iremos ficar de braço dado,
Porque eu, ainda te amo tanto!...
São Tomé
Como eu queria de novo ó Mar,
As tuas águas singrar,
Rumo aquele porto seguro,
Ancorar de novo
No cais “Sem Medo do Futuro”,
Onde a minha ancora maior
Ficou bem presa no fundo
Do teu coração…
Hoje, venho aqui só para te visitar;
Para quando chegasses cá deste lado,
Mas tu ainda vens a caminho,
Ainda estás muito recuado.
A linha do horizonte,
Funde-se com a penumbra,
Da neblina matinal,
Limitando a minha visão.
Mas longe… bem ao longe,
Ainda se vislumbra
A vela de um barquinho,
Que como eu, anda solitário
Sobre essa tua vastidão…
Também hoje, não vejo
As asas de nenhuma gaivota a pairar,
Nem o seu grito de alerta,
Quando algumas sardinhas,
Fogem do seu cardume
E ficam pela praia a saltitar.
Mar!... Espera por mim amanhã,
Que eu por ti, vou cá voltar!...
São Tomé
Há uma luz que vem chegando
De mansinho até mim.
É a luz que vem iluminar a cor
Da minha nova esperança,
E deixar eu viver a vida com mais prazer.
Essa luz que um dia eu quase apaguei
No meio de um turbilhão,
Em frenético rodopio.
Mas agora sinto que essa luz se adensou
E o meu caminho de novo iluminou,
Para não deixar os meus sonhos se perderem,
E iluminar o caminho
Dos sonhos que eu ainda não sonhei!
São Tomé - Corroios
Esta música celestial que agora me envolve,
É como uma chama de fogo brando,
Que a minha alma vai lambendo
E a vai libertando, deixando-a flutuar, flutuar,
Elevando-a cada vez mais para o ar,
Para as alturas celestiais.
Essas alturas onde nada existe e onde existe tudo.
São Tomé
Ah!... Como eu queria de novo amar…
Sentir-me apertada nos teus braços,
Sentir-me afundar no teu olhar,
Sentir-me queimar no calor dos teus beijos,
Sentir-me enlevar nos teus sussurros,
Deitar-te na minha cama,
E os nossos corpos frementes, enlaçar!...
Mas logo a voz da razão diz-me que não…
Que preciso sentir-me livre … voar!...
Só ter os abraços do Vento,
Só ter os beijos do Sol,
Só ter o olhar das Estrelas,
Só ouvir os sussurros do Mar…
E só ter um sorriso de retrato á cabeceira
Da cama, para me escutar…
Não atender aos apelos do meu coração,
Não sentir o afago da tua mão, na minha mão,
Quem irá vencer?... O quero Sim ou o quero Não?...
São Tomé