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Ribeiro da minha Terra

saotome @ 12:49

Oh! Ribeiro da minha infância,
O que fizeram de ti agora?...
Corrias livre e selvagem,
Eu ia sempre contigo,
Pulando de pedra em pedra ,
Correndo de margem em margem!

Hoje, estás aprisionado
Em açudes de betão,
Para seres o espelho d’água,
Mas com água cor de carvão!
Já nem as rãs são tão livres,
Como o eram estão!...

Escondiam-se sob as pedras,
Onde eu, (a malvada) as caçava
Com um improvisado arpão,
Feito de um garfo e uma cana.
Tão alegre e despreocupada
Que nem dava por mais nada…

Só quando a minha mãe chamava,
Com um gesto muito irritado,
E gritava:
Menina!!!... Sai já da água
Que apanhas um resfriado!

Ribeiro da minha infância,
Para onde foste levado?...
Porque esse que eu veja agora,
Não é o meu ribeiro de outrora!? …

São Tomé

( Esta menina era bem Maria-rapaz, jogava bola, subia em árvores
para ver passarinhos nos ninhos e ainda caçava as rãs com uma cana e um
garfo, mas não gostou de ver o seu ribeiro de infância conspurcado)

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